Como lidar com a Doença Bipolar

O tema de hoje é uma doença que afecta uma pequena percentagem da população, mas é um tema que deve ser debatido conscientemente. Falamos da Doença Bipolar, a denominada Bipolaridade pelo senso comum.

A nossa tendência é falar das doenças como se fossem algo que nos é imune, algo longínquo e que não nos afecta. Todavia, nem tudo é assim tão linear e muitas são as pessoas que se vêm afectadas com esta doença, e as pessoas que convivem com a pessoa diagnosticada, também se sensibilizam.



A Doença Bipolar tem várias denominações comuns, como visto acima, no entanto a mais habitual entre profissionais é a Doença Maníaco-Depressiva. Esta é uma doença psiquiátrica, sendo que para que alguém seja diagnosticado com esta doença, é necessário passar por um longo processo de diagnóstico. Actualmente, não existe uma cura possível e os sintomas podem ser manifestados de diversas maneiras. Todavia, os sintomas podem ser controlados com um determinado tipo de medicação, sendo que esta deve ser aconselhada por um profissional especializado, e mantida sob vigilância.

Os sintomas habituais de alguém com esta doença são diferenciados pelas duas partes da Doença Maníaco-Depressiva. Isto é, existem comportamentos que são característicos da fase Mania e outros da Depressão.

Mania é a altura que se caracteriza por um estado de humor instável , sendo que pode ser totalmente eufórico ou oposto. São as emoções completamente desequilibradas. Depressão é o estado caracterizado pela tristeza, pela súbita vontade de apatia, inércia e um constante sentimento de inquietação.

Mania:

  • Irritabilidade Extrema;
  • Alterações de Humor e Emoções Súbitas;
  • Aumento de Interesse em Actividades Esporádicas;
  • Interpretação Errada de Acontecimentos;
  • Incapacidade de reconhecer a doença;
  • Perda de Noção da Realidade;
  • Aumento dos ataques de Pânico.

Depressão:

  • Obsessão por pensamentos negativos;
  • Alterações de apetite e peso;
  • Alteração do Sono: Pode sentir uma maior sonolência ou o oposto;
  • Incapacidade de controlar as emoções;
  • Perda de Noção da Realidade, com conteúdo negativo e depreciativo;
  • Pensamento Lento e Dificuldade de tomar decisões;
  • Sentimento de Inutilidade e Falta de Amor-Próprio.

No entanto, existem certas alturas em que ambos os sintomas podem ser identificados. Ou seja, a pessoa pode demonstrar sintomas, durante a fase de crise, de Mania e de Depressão, sendo considerada esta uma crise Mista.

A fase de Mania e de Depressão pode ser um processo longo. Não se tem uma estimativa correcta, pode durar dias ou até meses. O paciente perde o controlo da sua mente e, consequentemente, da sua rotina diária.

Não é um processo fácil lidar com alguém com esta doença, seja esta diagnosticada ou não. Familiares, amigos, parceiros ou até colegas de trabalho desempenham um papel muito importante na recuperação, aceitação e compreensão da doença. O ideal será não interpretar como uma doença, mas um estado mental. O que eram antes, durante e depois das crises, só apenas as pessoas que sentem as alterações são capazes de descrever.

Não existem comportamentos correctos, todos somos humanos. Como se diz habitualmente, ninguém nasce ensinado. Cometemos erros e esperamos que o outro compreenda. Mas nesta situação, o outro não compreende pois a sua mente pode não estar a funcionar correctamente.

Para que possa adequar o seu comportamento diário às necessidades da pessoa diagnosticada com esta doença, trazemos algumas dicas para ajudá-lo neste processo:

  • Apoie a pessoa em momentos difíceis: Ninguém é perfeito. Este é um processo desgastante que o paciente, muitas vezes, não se apercebe. Consistência é a palavra-chave.
  • Aceite o que recebe: Para um paciente, por vezes as alterações de humor são tão constantes que acabam por distorcer a realidade. Seja presente, não espere demais , mas também não espere menos da pessoa.
  • Compreenda quando não são/estão presentes: Este é um processo árduo. A compreensão é algo que só vem com a educação. E a educação nem sempre é tão incentivada como deveria ser. Isto aplica-se a familiares e amigos. Se não pesquisar, nunca conseguirá entender totalmente a dimensão da doença. E isso pode ter repercussões na relação com o paciente.
  • Saiba ouvir: Por vezes, não é preciso ter um discurso preparado e coerente. É apenas necessário saber ouvir, saber demonstrar que estamos ali para ouvir e acompanhar o processo.
  • Mantenha contacto: Sabemos que esta dica é das mais complicadas, pois alguém diagnosticado com esta doença pode cortar relações subitamente, sem qualquer desculpa ou motivo. Todavia, deixe a pessoa ter o seu espaço, não insista e, sempre que possível, dê indícios que se preocupa e pode manter o contacto. Pequenos gestos fazem uma grande diferença.
  • Não julgue: A dica mais importante é esta. Não julgue, não faça previsões de comportamento, não critique se deixarem de tomar a medicação ou tiverem pensamentos negativos. A aceitação é um passo fundamental para que a pessoa confie em si. Uma pessoa com este distúrbio pode ter um círculo muito vasto, mas apenas confiará os aspectos mais negativos do seu eu-interior a poucos.

No fundo, ainda estamos a aprender o melhor comportamento, o melhor tratamento e, acima de tudo, a maneira como devemos pensar e assimilar tudo. Este é um assunto delicado, que envolve muita atenção e acompanhamento médico.

Se se interessa por questões de saúde, nomeadamente temas que não são habitualmente discutidos, espreite o nosso artigo sobre Demência e Síndrome de Tourette.

Seja mais humano e tente compreender o lado mais complicado!

Partilhar:

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on twitter
Share on email

Mais sobre:

Vadiando Na Net